O tribunal condenou-os a penas de prisão que vão de dois anos e oito meses a 17 anos, no caso de dois executivos da empresa italiana Miteni, agora extinta. Quatro outros réus foram absolvidos.
PFAS — ou substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas,— são um grupo de mais de 10.000 produtos químicos sintéticos que repelem o calor, a água, as gorduras e as manchas de sujidade. Desenvolvidas na década de 1940, são ainda amplamente utilizadas em panelas antiaderentes, vestuário impermeável, tapetes à prova de manchas, etc., não obstante estarem associadas a distúrbios hormonais, imuno-supressão e cancros. As suas ligações carbono-flúor ultra resistentes demoram milénios a decompor-se no ambiente e por isso são chamados de “químicos eternos”.
A fábrica, agora fechada, produzia PFAS desde 1968 e era gerida por três empresas até ao seu encerramento devido a falência em 2018. Segundo os procuradores, vazou resíduos químicos para um curso de água, poluindo uma vasta área entre Vicenza, Verona e Pádua.
O julgamento teve início em 2021. Os promotores solicitaram penas de prisão cumulativas de 121 anos. A sentença do tribunal foi ainda mais severa: um total de mais de 141 anos. Centenas de manifestantes civis juntaram-se ao julgamento, incluindo o grupo ambientalista Greenpeace e mães locais que se uniram após as análises demonstrarem que as suas famílias tinham esses produtos químicos no sangue.
A representante do Greenpeace Itália, Chiara Campione, considerou a decisão «histórica»
Os indivíduos e empresas envolvidos foram condenados a pagar mais de 6,5 milhões de euros em indemnizações à região de Veneto — uma decisão bem recebida pelo líder regional Luca Zaia. Terão também de pagar 58 milhões de euros em indemnizações ao Ministério do Ambiente italiano, de acordo com relatos da imprensa.
Em maio, um tribunal decidiu também que a morte de um trabalhador dessa fábrica, em 2014 devido a cancro, foi causada pela exposição prolongada a PFAS.