Usamo-los no trabalho, nos momentos de lazer, podemos até usá-los no ginásio, enquanto transpiramos. No entanto, uma investigação sobre auscultadores  realizada em cinco países da Europa Central,  no âmbito do projeto financiado pela UE ToxFree LIFE for All, encontrou produtos químicos perigosos em todos os exemplares analisados — desde os modelos premium até às importações mais baratas, dirigidos a todos os segmentos da população –   crianças, adolescentes e adultos. Mesmo em produtos de marcas líderes, como Bose, Panasonic, Samsung e Sennheiser, foram encontradas substâncias químicas nocivas na composição dos plásticos com que são fabricados.

Os autores afirmam que os resultados revelam uma deficiência sistémica na regulamentação europeia  relativa à segurança dos produtos da indústria eletrónica.

A Crise do Bisfenol: Um Contaminante Universal

Os investigadores descobriram que quase todos os auscultadores testados continham bisfenóis — substâncias químicas com o potencial de desregular as hormonas.  O  Bisfenol A (BPA) apesar de já ter sido amplamente restringido, foi detetado em 98% das amostras, enquanto o seu substituto, o Bisfenol S (BPS), apareceu em mais de três quartos das amostras. As concentrações máximas chegaram a 351 mg/kg, ultrapassando em muito o limite de 10 mg/kg originalmente proposto pela Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA).

“Essas substâncias não são meros aditivos; elas podem migrar dos auscultadores para o nosso corpo”, disse Karolina Brabcová especialista em química da organização Arnika. “O uso diário — especialmente durante exercício fisíco, quando há calor e suor — acelera essa migração diretamente para a pele. Embora não haja risco imediato para a  saúde, exposições a longo prazo, especialmente em grupos vulneráveis como adolescentes, são motivo de grande preocupação. Não existe um nível  que possa ser considerado seguro para disruptores endócrinos que imitam as nossas hormonas naturais.”

Substituições Lamentáveis

O estudo confirma uma tendência  ampla que se tem verificado de  substituições lamentáveis:  em que substâncias proibidas são trocadas por compostos ligeiramente modificados que se comportam quase da mesma forma. Os fabricantes frequentemente alteram apenas parte da molécula, fazendo com que a substância escape às regras atuais, mas mantendo a sua estrutura base — logo, os seus efeitos tóxicos — praticamente inalterados. No caso dos retardadores de chama, isso significa que substâncias halogenadas antigas são substituídas por retardadores organofosforados, como o RDP (Resorcinol bis(difenil fosfato)), uma alternativa ao TPhP que pesquisas recentes associam à neurotoxicidade e a efeitos desreguladores das hormonas da tiróide e do estrogénio.

O mais alto nível de plastificantes nocivos e de parafinas cloradas foi detetado numa amostra adquirida online numa loja internacional,  mas as substâncias perigosas foram encontradas em todas as faixas de preço — o que significa que pagar mais caro não garante um produto seguro.

The Sound of Contamination: All Analysed Headphones on the Central European Market Found to Contain Hormone-Disrupting Chemicals

Um Apelo por Reformas Urgentes na UE

A parceria ToxFree LIFE for All apela aos decisores políticos da Europa que abandonem a abordagem lenta de regulamentação “substância a substância” e adotem restrições de grupo  para retardadores de chama e bisfenóis. “Esse compromisso, assumido na Estratégia de Sustentabilidade para Produtos Químicos adotada em 2021, deve ser cumprido o quanto antes, perante os resultados dos testes recentes”, concluiu Brabcová.

“As evidências são claras: as leis atuais são lentas e ultrapassadas para proteger os consumidores vulneráveis, que estão expostos a produtos químicos prejudiciais e que não têm conhecimentos, competências nem os necessários recursos para poderem proteger-se”, afirma Emese Gulyás, especialista em consumo sustentável da Associação Húngara de Consumidores Conscientes e líder da parceria ToxFree LIFE for All. “Precisamos de regulamentações europeias imediatas e harmonizadas que proíbam classes inteiras de substâncias tóxicas. Essa é a única forma de proteger os consumidores e fomentar uma economia circular segura, na qual materiais reciclados não sejam contaminados por ‘toxinas herdadas’.”

Principais Conclusões em Resumo:

  • 81 modelos de auscultadores foram testados na República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovénia e Áustria.
  • 100% continham vestígios de produtos químicos perigosos (bisfenóis, ftalatos, retardadores de chama).
  • Foram detetados até 351 mg/kg de bisfenóis — 35 vezes mais do que os limites propostos pela UE.
  • Os produtos de mercados online (por exemplo, Temu) apresentaram a maior toxicidade.

Como os consumidores podem agir

A escolha individual está limitada pela contaminação em todo o mercado, o projeto recomenda que os consumidores se manifestem juntando-se aos milhares de cidadãos que exigem produtos mais seguros em ToxFreeProductsNow.eu.

Consulte o Relatório completo AQUI.