A poluição por micro plásticos foi detetada no sangue humano pela primeira vez, com os cientistas a encontrarem minúsculas partículas de plástico em quase 80% das pessoas testadas.
Este estudo demostra que as partículas podem penetrar na corrente sanguínea, viajar pelo corpo e alojar-se nos órgãos. O impacto na saúde ainda é desconhecido. Mas os investigadores consideram a descoberta preocupante na medida em que já se verificou laboratorialmente que os micro plásticos causam danos às células humanas.
Grandes quantidades de resíduos plásticos são despejados no ambiente e os micro plásticos contaminam agora todo o planeta, desde o cume do Monte Everest até aos oceanos mais profundos. Já existia o conhecimento de que nós humanos ingerimos as micropartículas através de comida e água, bem como ao respirar, tendo sido anteriormente encontradas nas fezes de bebés e adultos. Sabia-se também que a poluição atmosférica causa milhões de mortes prematuras a cada ano.
Os cientistas analisaram amostras de sangue de 22 dadores anónimos, todos adultos saudáveis e encontraram partículas de plástico em 17. Metade das amostras continha plástico PET, que é geralmente usado em garrafas de bebidas, enquanto um terço continha poliestireno, utilizado para embalar alimentos e outros produtos. Um quarto das amostras de sangue continham polietileno, a partir do qual são feitos sacos de plástico.
Os estudos vão continuar, com amostras de maior dimensão e com inclusão de mais tipos de polímeros, mas os resultados são já considerados preocupantes, pelos cientistas. Segundo o Prof. Dick Vethaak, eco toxicologista na Vrije Universiteit Amsterdam na Holanda- citado pelo artigo do The Guardian publicado a 24 de março– “As partículas estão lá e são transportadas por todo o corpo.” Referiu também que os trabalhos anteriores tinham demonstrado que o nível de micro plásticos é 10 vezes mais alto nas fezes dos bebés em comparação com as dos adultos e que os bebés alimentados com biberões de plástico estão literalmente a engolir milhões de partículas de micro plástico por dia. “Sabemos que os bebés e as crianças pequenas são mais vulneráveis à exposição a químicos e a partículas, em geral. Isso preocupa-me muito.”
A grande questão agora é, segundo Vethaak, perceber o que está a acontecer no nosso sangue. Estarão as partículas a ser retidas no corpo, estarão a ser transportadas para certos órgãos? Serão os níveis de concentração suficientes para causar doenças? São tudo questões que necessitam de respostas urgentemente, sobretudo tendo em conta o atual contexto em que se prevê a duplicação da produção de plásticos até 2040.